Para entender por que os Judeus não
se davam com os Samaritanos, é preciso voltar no tempo e analisar como surgiu o
povo “Samaritano” ou essa nação “Samaria“.
Parte 1 - Como surgiram os samaritanos?
Após a morte do Rei Salomão, houve uma divisão
no reino de Israel (Reino Norte=Israel/ Reino Sul=Judá). (1Reis 12:20). Essa
divisão ocorreu por causa do pesado julgo de impostos cobrados pelo rei (1Reis
12:11).
A capital do reino norte ficou sendo Samaria,
enquanto a capital do reino sul era Jerusalém. Durante o reinado do Rei Oséias
(Reino Norte) o rei da Assíria, Salmaneser, levou os moradores de Samaria
cativos. (2Reis 17:6)
Até este momento ainda não havia a rivalidade
entre Judeus e samaritanos, mesmo porque ainda eram considerados o mesmo povo. Porém,
o rei Salmaneser trouxe habitantes de outras cidades de culturas pagãs para
fazer habitar ali em Samaria juntamente com uma pequena parte de Judeus que
permaneceram lá (pequenos agricultores). (2 Reis 17:24).
A partir dessa junção de povos originou-se a
raça dos “Samaritanos”. Estes começaram a praticar uma espécie de judaísmo
pagão devido a costumes trazidos pelos novos habitantes. (2 Reis 17:41).
Os Judeus que faziam fronteiras com Samaria
não aceitavam o que estava acontecendo. Primeiro porque tinham que conviver com
uma vizinhança estranha, pagã e que não era povo de Israel; segundo por ter que
assistir os vários tipos de pecados que eles cometiam diante do povo, devido à
adoração de outros deuses. Assim, os samaritanos começaram a serem vistos pelos
judeus como um povo indigno.
Parte 2 – A causa da
rivalidade
Anos mais tarde,
Em 587 a.C.,
o reino de Judá é derrotado, o templo
construído pelo rei Salomão totalmente destruído por Nabucodonosor, e uma boa
parte da população é deportada para a Babilônia (2Reis:25). O remanescente ficou sendo governado
pelo rei Gedalias (Jeremias 40:11), mas após sua morte, todo o restante do povo
temendo aos caldeus, abandonaram Judá indo para o Egito (2 Reis 25:26). Os
samaritanos passaram então a habitar aquela região também.
Após a
libertação dos exilados por Ciro II em 537 a.C.,
estes decidem reconstruir o templo de Jerusalém (2
Crônicas 36:22). Os samaritanos oferecem então a sua ajuda, mas esta é
rejeitada, tal como descreve o Livro de Esdras (4:3). Isso ocorreu por conta de um excesso de
zelo, para que os Judeus não se misturassem a outras raças e assim fossem
novamente condenados por Deus. A partir daí os Samaritanos (que também
observavam as leis de Moisés e eram, em parte, hebreus) se juntam a outros povos
para tentar impedir a reconstrução da cidade e do templo (Esdras 4:4-24). No
mesmo tempo, os Samaritanos edificam seu próprio templo no monte Gerizim,
usando o argumento de que a lei de Moisés dizia que o lugar correto para
adoração era ali (Dt. 11:29) surgindo, assim, a rivalidade que foi se
intensificando através dos séculos. Na passagem entre Jesus e a mulher
samaritana essa questão do local correto para adorar a Deus é levantada pela Samaritana,
ao passo que Jesus lhe dá uma resposta reveladora (João 4:19-29).
